terça-feira, 31 de julho de 2012

Mais delírios cotidianos.

Algumas pessoas associam o domínio do fantástico à teoria racista/médico/higienista das grandes guerras. Não é uma alusão vã, tomando como referência as investidas dos autores de "Introdução ao Realismo Fantástico" em  desmistificar as filosofias que cercavam o pensamento nazi em épocas de ascensão do ideal cientificista para o domínio da sociedade. Uma problemática totalmente válida em nossa temporalidade. Como afirmam alguns filósofos, o totalitarismo não foi extinto com o final da 2º guerra, e o fascismo continua em constante ascensão (Arendt, Deleuze). Para quem desejar maiores informações dessas construções no âmbito literário, aqui vai a indicação do estudioso Edward Said, autor que afirma o "ocidente" e o "oriente" como construções ideológicas. Sua contribuição literária contém arguições que implementam os Estudos Pós-Coloniais e a Teoria das Raças. Na sua pesquisa é como se houvesse um "ocidente" desejoso de conquistar o "oriente". Mesmo o "oriente" representado por um quadro estranho, místico e silencioso. Haveria, com isso uma atribuição à degeneração da cultura ocidental? Ela realmente existe? Essa desvalorização da erudição; valorização ao banal, ao corriqueiro, ao mundano e pueril cotidiano, não poderia está em outro lugar senão na poesia e nas escritas livres dos românticos. Com estilo coloquial e obsceno tem-se Apollinaire  e Bukowski. Com ceticismo e escarnio, Augusto. Outros tantos sobre o domínio do fantástico, onde as dimensões são diversas e as opções são múltiplas, de gênios a malditos. Uma melancolia que atrai os corpos e as mentes em sua dança giratória, inexplicavelmente bela, de vida e morte.

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