quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Alquimia da Arte.

Deve haver uma alquimia para superar o caos gerado pela morte da arte. Esta segunda que se perdeu na multiplicidade dos lugares e assumiu forma de uma fragmentação tecnicista e banal. Uma mostruosa banalização das nossas vidas, das sensibilidades artísticas na busca dos valores mecanicistas de uma aprendizagem colonizadora. E mesmo acreditando nas inteligencias múltiplas e nas capacidades subjetivas, submerções das criações que se elevam na fúria do tempo da destruição causada pelo início do caos instituido na cultura dos homens. Uma tempestuosidade de guerras que multiplicaram os pensamentos e eles foram apodrecendo em diversos pedaços de algo que existiu um dia; fragmentaram-se, tudo que é sólido se desmancha no ar como poeira. A unidade, individualidade e autenticidade (pessoas carregadas de ideologias?), que sempre precisara morrer para renascer como uma fênix coletiva e tribal. Com na música tocada por dionísio que aterroriza e enfurece as massas. E você ainda me diz que quer uma revolução? Quanta revolução já vivemos. E não se espante quando souber quantos desejam uma política de controle. Mas, política não é sinônimo de controle? Ou arte de controlar? Já sabe que são todos os políticos, (inclusive você), se desejar uma escola e um posto de saúde em todos os lugares; não é mesmo? Envolto em uma educação ocidentalista capitalista e consumidora, não há outra saída. Revolução? Uma neurose? Então espera-se da escatologia que as pessoas sejam ao mesmo tempo poetas e produzam arte como nunca vista. Na filosofia necessita-se de uma educação do ser para morte. Ou mesmo uma filosofia perene, do silêncio.  Segredo velado! Na música há quem ainda alimente o sentimento pelo apego ao belo e à tradição, ou se inspira no caos devastador. Na criação do ser que está "para além do bem e do mal", mas que transcende esse estado no fazer; em uma vontade de poder que supere a individualista política megalomaníaca de uma elite que devora qualquer revolução. Fala-se de uma vontade que busca a novidade nela mesma. Não uma vontade de potência institucionalizada e instrumentalizada para coerção; a limitação na criação se deve somente naquilo que ela deseja alçar, e não no obrigatório silencio a respeito da grande mentira que se tornou o sistema. Para uma combinação entre as artes, a vontade é de novidade interculturalista. Ora, no pós-guerra o Jazz revolucionou na música combinando o popular e o erudito. Mas, será que a música é um catalizador de sentimentos importante para localizar sociologicamente conflitos culturais e mudanças no imaginario coletivo de diversos grupos? A filosofia diz que as monstruosidades de ontem são as obras-primas de hoje. Como na música (Wagner) que impulsionou a criação do radical paradigma da filosofia ocidental moderna (Nietzsche), (no ambito das analogias a música se divide entre a banalização e a super-valoração, categorias da genealogia de uma moral, ex. do bem e do mal). Por uma arte do sentir a música, compartilhar a música, daquele momento, sem fascismo. Ora, e se queremos tudo pronto de uma só forma, uma arte "fácil" de decifrar para nós mesmos, não estamos ditando uma forma de fazer individualmente estabelecida? Mas a criação artística sempre carregou sua banalização efêmera da cultura que morre no tempo? A alquimia está em perceber que o controle da sociedade não é de responsabilidade dos artistas, mas do governo (que não deve desejar justificativa para criação artistica). Essa eventual falta de liberdade assassinou a arte e sua aura reverberou no reino dos valores virtuais. Mas, criação artística para ser conhecida necessita reverberar no imaginário. Mesmo assim, um filosofo da grécia mencionou sobre um tipo de "artista maldito", "o gênio incompreendido por necessidade e não por acidente, condenado a trabalhar para um público potencialmente universal".

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